O que a Bíblia ensina sobre divórcio e repúdio?

Um guia simples para entender o que Deus diz sobre casamento, separação e novo casamento.
Quando lemos a Bíblia ou ouvimos um líder religioso dizendo:

“Você se separou? Então não pode casar de novo!”
“Se você casar novamente, viverá em adultério para sempre!”

A pergunta que precisamos fazer é:
Será que é isso mesmo que a Bíblia ensina?

Neste artigo, vou tentar explicar com simplicidade como a Bíblia trata esse assunto.
A Palavra de Deus usa dois termos importantes quando fala do fim de um casamento: idem e repúdio.
Entender a diferença entre esses termos é essencial — e também saber onde estão realmente escritos na Bíblia , mesmo que em português, às vezes, a tradução confunda ou mistura os significados.

Este é um tema delicado. Devemos ter respeito pelas opiniões das pessoas e pelas diferentes práticas religiosas, mas também precisamos lembrar que não é porque alguém pensa diferente da Bíblia, que você deve pensar igual.

Por isso, é tão importante conhecer bem o que a Bíblia diz — com claro, amor e verdade.

Vamos analisar.

O Casamento é uma Aliança

Na Bíblia, o casamento não é só um papel ou um evento bonito. É uma aliança diante de Deus entre um homem e uma mulher (Gênesis 2:24; Mateus 19:6). Por isso, Deus deseja que o casamento dure para sempre, com amor, respeito e fidelidade.

O que é o divórcio?

Para evitar injustiças, Deus permitiu, através de Moisés, que o homem que fosse separar-se de sua esposa escrevesse uma carta de ajuda (Deuteronômio 24:1–4).

“Você está livre para se casar com outro homem.”

  • Era como uma prova escrita de que ela não estava errada.
  • Assim, ela poderia refazer sua vida com dignidade.
  • Isso foi uma forma de proteger a mulher do abandono.

Direitos da mulher garantidos por Ketubá

  • O marido, ao casar, firmava um contrato chamado ketubá (כתובה).
  • Se houvesse amor, ele devia pagar à mulher um dote compensatório, garantido na ketubá.
  • A mulher não saiu de mãos vazias — a indenização era proteção social e econômica. Isso também desestimulava divórcios impulsivos .

A Ketuba: Um tipo de garantia

  • Cuidar da esposa com carinho e sustento.
  • E se o casamento acabar, pagar um valor justo a ela.
  • Era uma forma de evitar que o homem se aproveitasse da mulher.
  • A Ketubá faz o homem pensar duas vezes antes de se divorciar.

Mas o que é Repúdio?

O repúdio era quando o homem mandava a mulher embora de casa, sem dar explicações ou documentos. Isso deixava a mulher:

  • Desamparada.
  • Sem proteção.
  • Sem condições de casar de novo.

Deus não gosta disso. Em Malaquias 2:16, Ele diz:
“Eu odeio o repúdio” — diz o Senhor.

Por que as mulheres eram repudiadas?
Na época de Jesus, alguns homens estavam se separando por qualquer motivo:

  • Queimou a comida.
  • Não agradou.
  • Achou outra mais bonita.

Jesus ficou indignado com isso e disse:
“Quem se divorciar da esposa por qualquer motivo e casar com outra, comete adultério” (Mateus 19:9).

Ele ensinou que o casamento é algo sagrado, e a separação só deve acontecer em casos muito graves, como:

  • Traição (adultério)
  • Abandono pela participação incrédulo (1 Coríntios 7:15)

Deus proíbe o divórcio?

Deus não gosta de divórcio, mas entende que às vezes ele é necessário, por causa do pecado e da dureza do coração humano.
A Bíblia permite o divórcio em casos como:

  • Infidelidade.
  • Abandonado por parte do(a) parceiro(a)
  • Mas mesmo nesses casos, o ideal é que haja perdão e reconciliação, se possível.

Resumo teológico geral

Plano original: O casamento é uma aliança vitalícia (Gênesis 2:24; Mateus 19:6).
Exceções permitidas: Infidelidade (Mateus 5 e 19) e abandono por parte da parceria incrédulo (1 Coríntios 7).
Novo casamento: Controverso; para alguns teólogos, só é lícito em caso de exceção bíblica clara.
Divórcio não é ideal: Embora permitido em alguns casos, é sempre apresentado como consequência da dureza do coração humano, não como plano divino.

Termos principais — Hebraico e Grego
Antigo Testamento (Hebraico)

Carta de divórcio: “sefer keritut” (סֵפֶר כְּרִיתֻת) — “livro de separação” ou “escrito de rompimento”.

  • A carta escrita que formalizou o rompimento.
  • Legalizou a situação da mulher para se casar novamente sem ser considerada adúltera .
  • Instituída na Lei de Moisés (Dt 24:1–4) para proteger a mulher do repúdio arbitrário.

Repúdio: “šālaḥ” (שָׁלַח) — literalmente “mandar embora”, “expulsar”.

  • Ato de mandar embora a esposa, rompendo a convivência conjugal.
  • Era muito comum na cultura patriarcal, bastava o marido desejar (antes da lei mosaica limitava isso).
  • Geralmente era feito sem justificativa, sem carta e deixava a mulher vulnerável e desonrada.

Novo Testamento (Grego)

Divorciar/repudiar: “apolyō” (ἀπολύω) — literalmente “libertar”, “deixar ir”, “despedir”.
Divórcio (substantivo): “apostasão” (ἀποστάσιον) — “certificado de separação”, carta de dados.

No NT, “apolyō” geralmente é o ato (repúdio), e “apostasion” é o documento (carta de divórcio).

Repúdio = ação de mandar embora.
Carta de divórcio = documento legal formalizando o rompimento.

Análise texto por texto

Deuteronômio 24:1–4 (hebraico)

“Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e ela não for agradável a seus olhos… então ele lhe escreverá uma carta de divórcio (סֵפֶר כְּרִיתֻת) e a despedirá (שָׁלַח) de sua casa…”

Repúdio: šālaḥ (mandar embora)
Divórcio (carta): sefer keritut
Ambos aparecem: o homem manda embora (repudia) a mulher com carta de divórcio.

O repúdio era o ato, mas era necessário um documento legal para ser válido. Sem a carta, a mulher poderia ser considerada ainda casada (e adúltera se casasse de novo).

Malaquias 2:16

“Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio…” (algumas traduções dizem “divórcio”).

Hebraico: šālaḥ novamente — “repudiar”, não “dar carta” (Algumas versões mais antigas traduzem como “divórcio”, mas é literalmente repúdio).

O texto condena o ato de mandar a esposa embora, muitas vezes sem a carta legal, ou por motivos egoístas.

Mateus 5:31–32

“Qualquer que repudiar (ἀπολύω) sua mulher, dê-lhe carta de divórcio (ἀποστάσιον)…”

Repúdio: apolyō — o ato de “mandar embora”
Carta de divórcio: apostasia — o documento

Jesus critica o uso superficial do repúdio, mesmo com carta. Ele volta ao valor do casamento, dizendo que o problema não é só formal (ter o papel), mas moral.

Mateus 19:3–9

“É lícito ao homem repudiar (ἀπολύω) sua mulher por qualquer motivo?”

Aqui, os fariseus perguntam se podem repudiar (apolyō) por qualquer motivo, e Jesus responde com Gênesis.
Depois, Ele diz: “exceto por causa de infidelidade” — ou seja, só nesse caso o repúdio é tolerado.
Foco no repúdio (o ato). A carta aparece implícita, pois era obrigatória pela Lei (Dt 24).

Marcos 10:2–12 / Lucas 16:18

“Qualquer que repudiar (ἀπολύω) sua mulher e casar com outro comete adultério…”

Apenas o relatório (apolyō) é citado, sem menção ao documento.
Jesus critica o repúdio fácil , mesmo que com carta. O problema é o coração que despreza a aliança.

1 Coríntios 7:10–16

Paulo fala sobre “se separar” (chōrizō , χωρίζω), e sobre “abandonar” (aphienai, ἀφίημι).
Ele não usa os termos clássicos “divórcio” ou “carta”, mas trata da separação real.
Aqui não há foco em carta ou repúdio formal, mas nas realidades do abandono e separação.

Resumo das passagens bíblicas

TextoPalavra originalTipoTradução correta
Deuteronômio 24:1–4שָׁלַח + סֵפֶר כְּרִיתֻתRepúdio + CartaAmbos
Malaquias 2:16שָׁלַחRepúdioRepúdio
Mateus 5:31–32ἀπολύω + ἀποστάσιονRepúdio + CartaAmbos
Mateus 19:3–9ἀπολύωRepúdioRepúdio
Marcos 10:2–12ἀπολύωRepúdioRepúdio
Lucas 16:18ἀπολύωRepúdioRepúdio
1 Coríntios 7:10–16χωρίζω / ἀφίημιSeparação / Abandono

A Bíblia fala mais de repúdio do que divórcio? — Sim.

A Bíblia, especialmente o Antigo Testamento e os Evangelhos, fala mais do repúdio (mandar embora) do que a carta de divórcio em si. A ênfase bíblica está no ato injusto de romper a aliança conjugal sem base moral ou legal (repúdio), e não apenas no procedimento formal.

SituaçãoPosso casar de novo?Por quê?
Foi traído(a)?SimMateus 19:9
Foi abandonado(a)?Sim1 Coríntios 7:15
Se separou por outro motivo e o ex ainda vive?Não (sem base bíblica clara)Mateus 5:32
Está viúvo(a)?SimRomanos 7:2–3

Deus perdoa, restaura e orienta. Mas também exige seriedade com o casamento.

Conclusão

O casamento é coisa séria diante de Deus.
O divórcio é permitido, mas apenas em casos justos.
O repúdio (mandar embora sem cuidar) é condenado por Deus.
Deus quer restaurar famílias, não destruir.
A graça de Deus é maior do que nossos erros. Ele pode perdoar e recomeçar.

Livros que explicam bem o repositório e fornecem o contexto judaico-bíblico

Aqui estão alguns títulos confiáveis ​​e com base sólida:

Cristãos e o Divórcio — John Stott

  • Explica o que Jesus e Paulo ensinaram sobre o divórcio.
  • Fala sobre o equilíbrio entre graça e verdade.
  • O Matrimônio Judaico à Luz do Talmude — Louis M. Epstein

Mostra como o casamento e os ensinamentos foram tratados no judaísmo antigo.

O Divórcio e Novo Casamento à Luz da Bíblia — Jay E. Adams

  • Uma abordagem pastoral e bíblica.
  • Traz argumenta a favor de um direito legítimo e do novo casamento, quando permitido biblicamente.
  • O Caminho Judaico no Amor e no Casamento — Maurice Lamm

Muito usado em seminários e faculdades teológicas.
Mostra como o casamento e a carta de imagens dentro do judaísmo ortodoxo.

Manual Bíblico de Questões Difíceis — Norman Geisler

  • Aborda Malaquias 2:16 e outras passagens difíceis com claro e contexto.

Um adendo muito importante:

Em João 4:7–31, encontramos a história da mulher samaritana que foi buscar água no poço. Jesus inicia uma conversa com ela e pede um pouco de água. Durante o diálogo, Ele diz (João 4:16–18):

“Vai, chama o teu marido e vem cá.”
A mulher respondeu: “Não tenho marido.”
Disse-lhe Jesus: “Disseste bem: ‘Não tenho marido’;
pois tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade.”

A mulher tinha cinco maridos. Isso indica que passou por quatro ilustrações e foi repudiada pelo quinto . Agora, estava com um sexto homem, mas fora da aliança do casamento — por isso, Jesus afirma que não era seu marido

Apesar disso, Jesus não a trata com preconceito ou desprezo, mas com amor e verdade. Ele oferece a ela a água viva e revela que é o Messias. Como resposta, ela deixa seu cântaro, volta à cidade e começa a anunciar Jesus ao povo (João 4:28–29). Ela se torna, na prática, uma missionária entre os samaritanos.

Pense nisso.

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