“Abominável da desolação” (ou “abominação da desolação”) é um termo bíblico que aparece no Livro de Daniel (Daniel 9:27, 11:31, 12:11) e é mencionado por Jesus no Evangelho de Mateus (24:15) e em Marcos 13:14 . Ele se refere a um evento profético associado à destruição e à profanação do templo.
Significado e Interpretações:
- Contexto Histórico (Daniel):
No tempo de Daniel , a expressão parece referir-se à profanação do templo de Jerusalém pelo rei selêucida Antíoco IV Epifânio (por volta de 167 aC ), que erigiu um altar a Zeus no templo e sacrificou porcos (um animal impuro para os judeus), causando grande horror (1 Macabeus 1:54). - Profecia de Jesus (Mateus 24:15):
Jesus alertou que o “abominável da desolação” seria um sinal do fim dos tempos e da destruição de Jerusalém (70 dC) , quando os romanos invadiram e profanaram o templo. Alguns interpretaram que Ele estava se referindo à presença de tropas pagas ou a um ato de sacrilégio no lugar santo. - Interpretação Escatológica (Futuro):
Muitos teólogos veem nessa profecia um evento ainda futuro , relacionado ao Anticristo , que profanaria um possível terceiro templo em Jerusalém nos últimos dias (2 Tessalonicenses 2:3–4; Apocalipse 13:14–15).
Conclusão:
O “abominável da desolação” tem cumprimentos históricos (Antíoco, destruição romana) e possíveis implicações futuras (no contexto do fim dos tempos). Sua essência é a profanação do sagrado , trazendo desolação espiritual e física.
O “abominável da desolação” tem dois cumprimentos principais na Bíblia: um histórico (167 aC) e outro futuro (70 dC e além)
1. Cumprimento Histórico (167 aC) — Antíoco IV Epifânio
- Contexto: No livro de Daniel (11:31) , profetiza-se que um rei ímpio profanaria o templo.
- Aconteceu em 167 aC quando Antíoco IV Epifânio (rei selêucida):
- Proibiu o culto judaico.
- Ele ergueu um altar a Zeus no templo de Jerusalém.
- Sacrificou um porco (animal imundo) no altar, um ato abominável para os judeus (1 Macabeus 1:54–59).
Isso desencadeou a Revolta dos Macabeus , que purificou o templo (origem do Hanukkah).
2. Cumprimento no Século I dC (70 dC) — Destruição Romana
- Jesus citou Daniel em Mateus 24:15, alertando sobre o “abominável da desolação”.
- Em 70 d.C., os romanos (Tito) destruíram Jerusalém e o templo, profanando-o com:
- Idolos e estandartes romanos (considerados blasfemos).
- Sacrifícios pagãos no local sagrado.
Muitos veem isso como um segundo cumprimento da profecia.
3. Possível Cumprimento Futuro (Escatológico)
Alguns interpretam que ainda haverá um terceiro cumprimento, relacionado ao Anticristo:
- Se um terceiro templo for reconstruído em Jerusalém (Ezequiel 40–48?), um líder maligno poderia profaná-lo novamente (2 Tessalonicenses 2:3–4; Apocalipse 13).
Resumo:
- 167 a.C. → Antíoco Epifânio (primeiro cumprimento).
- 70 d.C. → Romanos (segundo cumprimento, citado por Jesus).
- Futuro? → Possível evento escatológico com o Anticristo.
Ou seja, a profecia teve múltiplas camadas de significado, algo comum nas profecias bíblicas.
Duas vezes em que o Templo de Jerusalém foi destruído, ele também foi profanado de maneira chocante, cumprindo, em diferentes níveis, a profecia do “abominável da desolação”.
Destruições do Templo, uma análise:
1. Primeira Destruição (586 a.C.) — Babilônios (Nabucodonosor)
Profanação:
- O Templo de Salomão foi invadido, saqueado e incendiado (2 Reis 25:8–9).
- Objetos sagrados (como o altar, a arca e os vasos de ouro) foram roubados e levados para a Babilônia (Daniel 1:2).
- Sacrifícios pagãos podem ter ocorrido no local (embora a Bíblia não detalhe tanto quanto no caso de Antíoco).
Contexto profético: Jeremias e Ezequiel já anunciavam a destruição como juízo de Deus pela idolatria de Judá.
2. Segunda Destruição (70 d.C.) — Romanos (Tito)
Profanação:
- O Segundo Templo (reconstruído por Herodes) foi invadido, queimado e demolido.
- Soldados romanos colocaram estandartes com a imagem do imperador (considerada idolatria) e sacrificaram a seus deuses no local (Tácito, historiador romano, confirma isso).
- Jesus havia predito essa destruição em Lucas 19:41–44 e Mateus 24:2, ligando-a à “abominação da desolação” (Mateus 24:15).
E Antíoco Epifânio (167 a.C.)?
Aqui foi uma profanação sem destruição total:
Ele não derrubou o templo, mas o corrompeu ritualmente (altar a Zeus, sacrifício de porcos).
Foi um “ensaio” do que viria depois, cumprindo Daniel 8:13 e 11:31.
Conclusão:
- 586 a.C. → Babilônios destroem e profanam o 1º Templo.
- 167 aC → Antíoco profana (mas não vitória) o 2º Templo.
- 70 dC → Romanos destroem e profanam o 2º Templo.
Ou seja, sempre que o templo foi destruído, houve profanação , mas a “abominação da desolação” teve seu ápice em Antíoco (simbólica) e Roma (literal) .





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