Somente a Bíblia é suficiente para a fé?

Em alguns debates e declarações que assisti, me veio essa necessidade de colocar aqui esse tema… será que precisamos mesmo de uma religião ou alguém ditando as regras, ou a Bíblia é infalível e suficiente?

Sim, a igreja católica tem por natureza a necessidade de se colocar acima das escrituras, colocando inclusive que as escrituras nasceram na igreja, isso não tem lógica. De forma simples, vamos avaliar.

Concílio de Jâmnia

Após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 d.C., o rabino Yohanan ben Zakkai fundou uma escola rabínica na cidade de Jâmnia (Yavne), com autorização dos romanos. Essa escola se tornou o centro do judaísmo farisaico.

Por volta do ano 90 d.C., rabinos ali reunidos discutiram temas importantes para a sobrevivência do judaísmo, incluindo:

  • Interpretação da Torá sem o Templo.
  • O uso litúrgico de certos livros bíblicos.
  • Discussões sobre livros como Ester, Ezequiel, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos.

Embora muitos acreditem que o “cânon” do Antigo Testamento foi fechado ali, não houve um concílio formal. Foi apenas parte de um processo gradual de definição. Independente leia o que o apóstolo Paulo disse em Romanos 3:1,2:

Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?
Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas.

Isso deixa claro que o velho testamento é responsabilidade integralmente dos judeus, isso já quebra totalmente o poder da igreja católica sobre o velho testamento, não só pelo concilio de Jâmnia, mas também pelo o que o apóstolo Paula escreveu.

Deuterocanônicos (ou apócrifos) do velho testamento

E aí que fica a pergunta: O velho testamento da igreja católica contém os livros: Sabedoria, Eclesiástico (Sirácida), Tobias, Judite, Baruque, 1 e 2 Macabeus e adições em Ester (adições em grego não presentes no texto hebraico) e Daniel: Bel e o Dragão (capítulo 14), Cântico dos Três Jovens (Dn 3:24-90) e Susana (capítulo 13).

Sim admito que as coisas não foram tão simples assim, muita coisa aconteceu, todavia é importante termos essa ciência que esse livros e acréscimos foram adicionados depois, até mesmo porque a Bíblia hebraica (velho testamento dos judeus) não constam esses livros. Como citei acima, apóstolo Paulo deixa claro a responsabilidade.

Deuterocanônicos: deutero (δεύτερος) = segundo / kanon (κανών) = regra, medida
Significado literal: “Segundo cânon”
Apócrifos: apó (ἀπό) = fora, longe / krýptō (κρύπτω) = esconder
Significado literal: “Escondido”, “oculto”

O Rei Davi escreveu em Salmos 138:2:

Voltado para o teu santo templo eu me prostrarei e renderei graças ao teu nome, por causa do teu amor e da tua fidelidade; pois exaltaste acima de todas as coisas o teu nome e a tua palavra.

O Rei Davi, já colocou a Palavra de Deus como uma certeza inabalável que é acima, como seu nome (Sim, entendo que ele estava dizendo da lei – Pentateuco, mas não tira em nada). Nenhuma religião, homem, mulher, ninguém está acima da Palavra de Deus.

Jesus foi “catedrático” a dizer em João 5:39:

Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;

Jesus já deixando claro que a salvação dizia sobre Ele e que nas Escrituras (Escritura = velho testamento) você tem conhecimento de salvação.

Jesus foi enfático ao ressaltar que o conhecimento e o poder de Deus (mesmo sendo coisas diferentes) estão no mesmo nível em Mateus 22:29:

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.


Vamos avaliar o que alguns pais da igreja, disseram:

Agostinho de Hipona [354 – 430 d.c] , conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos nos primeiros séculos do cristianismo, cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Foi bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Agostinho já defendia a autoridade suprema das Escrituras.

“Quem é que se submete a divina Escritura, senão aquele que a lê ou ouve piamente, submetendo a ela como a autoridade suprema?”

Jerônimo [347 – 420 d.c] nascido Eusébio Sofrônio, Jerônimo e também conhecido como Jerônimo de Estridão, foi um sacerdote cristão ilírio, destacado como teólogo, historiador e confessor, é considerado santo e Doutor da Igreja pela Igreja Católica. Jerônimo ensina autoridade única das Escrituras.

“Ele Também compôs uma Crônica de realmente pouco interesse aos gregos, mas de grande confiabilidade por ser construído somente na autoridade das Escrituras divinas.”

Ambrósio de Milão [340 – 397 d.c], mais conhecido como Ambrósio, foi um arcebispo de Mediolano que se tornou um dos mais influentes membros do clero no século IV. Foi prefeito consular da Ligúria e Emília, cuja capital era Mediolano, antes de tornar-se bispo da cidade por aclamação popular em 374. Ambrósio defendia a Escrituras como primeira verdade.

“Somos instruídos e ensinados que o que o é correto é colocar as Escrituras em primeiro lugar.”

João Crisóstomo (Antioquia, c. 347 – Comana Pôntica, 14 de setembro de 407) foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo. É conhecido por suas poderosas homilias, por sua habilidade em oratória, por sua denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época, por sua “Divina Liturgia” e por suas práticas ascetas. Crisóstomo defendia que nada poderia ir além do Evangelho.

“Muitos se gabam do Espírito Santo, mas, aqueles que expressam suas próprias ideias falsamente a alegam. Como Cristo testificava que não falava por sim próprio (Jo 12:49; 14:10), porquanto falava da lei e dos profetas, de modo que, se algo for inculcado sob o nome do Espírito, que vá além do evangelho, não devemos crer.”

Resumo

1. A Bíblia é Suficiente?
  • Jesus e Paulo afirmaram a autoridade das Escrituras (João 5:39; Romanos 3:1-2).
  • O Salmo 138:2 coloca a Palavra de Deus acima de tudo, incluindo tradições humanas.
  • Mateus 22:29 mostra que ignorar as Escrituras leva ao erro, mesmo em questões espirituais.
2. A Igreja Católica e o Cânon Bíblico
  • O Concílio de Jâmnia (90 d.C.) consolidou o cânon judaico do Antigo Testamento, mas não foi um decreto formal.
  • Paulo em Romanos 3:1-2 confirma que os judeus foram encarregados das Escrituras, não a Igreja Católica.
  • Livros deuterocanônicos (apócrifos) foram adicionados posteriormente e não fazem parte da Bíblia hebraica original.
3. Os Pais da Igreja Defendiam a Supremacia das Escrituras
  • Agostinho de Hipona: Considerava a Bíblia a “autoridade suprema”.
  • Jerônimo: Baseava sua teologia apenas nas Escrituras.
  • Ambrósio de Milão: Colocava as Escrituras em primeiro lugar.
  • João Crisóstomo: Alertava contra doutrinas que iam além do Evangelho.

Conclusão

A Bíblia, como Palavra de Deus, é infalível e suficiente para fé e prática. Religiões que se colocam acima dela ou acrescentam tradições humanas contradizem o ensino bíblico e histórico. A autoridade final deve ser a Escritura, não instituições religiosas.

Versículo-chave:
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (João 5:39)

Bíblia é a base inquestionável, enquanto tradições e hierarquias eclesiásticas devem ser avaliadas à sua luz.

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